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Campanha Julho Amarelo alerta para os sinais do câncer ósseo e reforça a importância do diagnóstico precoce.

 

Histórias de pacientes mostram como o diagnóstico precoce pode transformar o tratamento, ampliar as chances de preservação do membro afetado e favorecer a recuperação.

Uma dor persistente nos ossos, um inchaço que aumenta aos poucos podem ser sinais de alerta. Embora esses sintomas sejam muitas vezes associados a fase do crescimento ou a lesões do dia a dia, também podem indicar um câncer ósseo. Apesar de raro, representando cerca de 2% dos tumores malignos, o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura e possibilitar, em muitos casos, a preservação do membro afetado.

Durante o Julho Amarelo, mês de conscientização sobre o câncer ósseo, o chefe da Oncologia Ortopédica do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), Dr. Walter Meohas, reforça a importância de procurar avaliação médica diante de dores persistentes.

“O osteossarcoma (tipo mais comum de câncer ósseo primário) acomete principalmente crianças e adolescentes entre os 10 e 19 anos. Geralmente, a dor surge nas regiões dos ossos que estão em crescimento, como próximo ao joelho, no fêmur ou na tíbia, e também no ombro”, explica.

Segundo Dr. Walter, é fundamental diferenciar a dor do crescimento da dor provocada por um tumor ósseo.

“A dor do crescimento costuma surgir durante o dia e no final da tarde. Já a dor causada pelo câncer tende a ser persistente e aumenta com o tempo”, pontua.

Vale destacar que em adultos, acima dos 40 anos, as lesões ósseas estão mais relacionadas a metástase de outros tipos de câncer, embora também possam ocorrer tumores ósseos primários.

 

Causas e Sintomas

A causa do câncer ósseo ainda é desconhecida. Por isso, qualquer dor persistente, especialmente quando dura semanas ou limita as atividades do dia a dia, deve ser investigada por um ortopedista.

O diagnóstico começa com avaliação clínica e exames de imagem, como radiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. E, quando há suspeita da doença, a confirmação é realizada por meio de biópsia.

Para o Dr. Walter, identificar o tumor precocemente é fundamental para o sucesso do tratamento.

“Quanto menor o tumor no momento da descoberta, maiores são as chances de cura. Já operei crianças que hoje são adultas e levam uma vida normal”, lembra Dr. Walter.

 

Histórias que reforçam a importância do diagnóstico precoce

A história do paciente Jessé Gabriel Castanheira, de 15 anos, reforça a importância do diagnóstico precoce. Ativo e apaixonado por esportes, em abril do ano passado, ele começou a sentir fortes dores no joelho e inchaço na perna. Após exames, foi encaminhado ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) para realizar a biópsia, que confirmou o diagnóstico de osteossarcoma. No caso dele, atingiu a região abaixo do joelho.

O tratamento foi iniciado com urgência, com sessões de quimioterapia e cirurgia para retirada do tumor e reconstrução do osso por meio de prótese.
A mãe de Jessé, Cristina Castanheira, lembra que o início rápido do tratamento foi fundamental para enfrentar a doença.

"A equipe nos dizia que estava correndo contra o tempo. A biópsia teve o resultado acelerado para que o tratamento começasse logo, e isso fez toda a diferença para nós.", lembra.

Em casa, Jessé Gabriel Castanheira, de 15 anos, celebra a evolução do tratamento contra o osteossarcoma após diagnóstico precoce e cirurgia no INTO.

Em casa, Jessé Gabriel Castanheira, de 15 anos, celebra a evolução do tratamento contra o osteossarcoma após diagnóstico precoce e cirurgia no INTO.

 

Após a cirurgia, as dores diminuíram e Jessé começou a dar os primeiros passos dentro de casa, um momento marcante para a família.

"Ver meu filho de pé depois de um ano foi uma sensação que não tem igual. Hoje vivemos a segunda fase do tratamento. Jessé já anda pela casa e está cada vez mais forte.", comemora.

Já o professor de Educação Física, Igor da Silva Almeida, de 28 anos, morador de Campos dos Goytacazes (RJ), conviveu durante meses com dores leves, porém, persistentes no joelho. Como mantinha uma rotina intensa entre aulas, academia e partidas de futebol, acreditava que o incômodo estivesse relacionado ao esforço físico. Com o passar do tempo, Igor conta que a dor se intensificou e passou a mancar. "Se eu me esforçasse mais, a dor aumentava. No início, achei que fosse algo normal da rotina de exercícios, mas chegou um momento em que percebi que precisava investigar."

Sete meses após a cirurgia para tratamento de osteossarcoma, Igor da Silva Almeida voltou a dar aulas de Educação Física e segue em processo de reabilitação.

 

Após realizar exames de imagem, Igor recebeu o diagnóstico que não gostaria de ouvir: osteossarcoma. Encaminhado ao INTO, ele passou por uma cirurgia que retirou as áreas comprometidas do fêmur, da tíbia e do joelho. O procedimento também permitiu que sua perna fosse preservada com a implantação de uma prótese.
Hoje, sete meses após a cirurgia, Igor voltou a dar aulas de Educação Física, porém, com limitações para atividades de maior impacto. Além disso, faz fisioterapia e segue em acompanhamento no INTO, com consultas e exames periódicos.

 

Tratamento evoluiu e reduz necessidade de amputação

Nas últimas décadas, os avanços no tratamento aumentou significativamente as chances de cura e preservação do membro afetado. A combinação de quimioterapia, técnicas cirúrgicas mais precisas e colocação de prótese permite, em muitos casos, evitar amputações e oferecer melhor qualidade de vida aos pacientes.

“A importância do diagnóstico precoce é que, quanto menor a lesão, menor será a área retirada durante a cirurgia. Assim, aumentam as chances de uma cirurgia menos agressiva e de uma recuperação com melhor qualidade de vida.", destaca Meohas.

21/07/2026

 

 

 

 

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