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Tênis de cadeira de rodas: esporte, reabilitação e inclusão no INTO

Projeto alia atividade física e prática esportiva com a assistência à saúde dos pacientes para melhora física e emocional.

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) vem promovendo mais uma iniciativa que une reabilitação, inclusão e qualidade de vida: as aulas do projeto de Tênis de Cadeira de Rodas. A ação é voltada para pacientes de 7 a 17 anos em tratamento na instituição que tenham deficiência física, sejam cadeirante ou não, incluindo crianças e adolescentes com amputação de membros superiores ou inferiores. Coordenado pela Área de Voluntariado do INTO, o projeto tem aulas toda segunda-feira, das 8h às 11h, na parte externa da Área de Reabilitação, e são ministradas pelo professor de Educação Física voluntário Sérgio Alves.

A atividade esportiva faz parte do processo de reabilitação e estimula o desenvolvimento físico, a coordenação motora, o fortalecimento muscular e a autonomia das crianças. Mais do que aprender um esporte, os alunos descobrem novas possibilidades, constroem confiança e se conectam com outras crianças que vivem desafios semelhantes. "A educação física vai ajudar muito na reabilitação junto com a equipe multiprofissional do INTO. É o lado lúdico e que auxilia na psicomotricidade. A atividade física para a pessoa com deficiência é fundamental em vários aspectos, seja no campo psicológico, motor ou social. Percebo que eles estão mais desenvolvidos e mais felizes, conforme relatam os pais também”, conclui Sérgio.

Depoimentos que inspiram superação

Durante as aulas, os participantes aprendem fundamentos do tênis adaptado, com o acompanhamento do professor voluntário Sérgio. Para as famílias e os alunos, o projeto representa um momento de superação e alegria dentro da rotina de tratamento. "As aulas contribuem para regular o emocional e entender que ele consegue desempenhar as mesmas atividades das outras crianças que tem os dois membros, além de mostrar pra ele que ele consegue tudo no tempo dele”, relata Pauline Azevedo Brum, mãe do paciente Emanuel Brum Cezario, de 7 anos, que nasceu com ausência do antibraço e faz tratamento no INTO há 1 ano e 3 meses.

Já o paciente Davi de Souza do Nascimento, de 14 anos e que faz tratamento no INTO há 3 anos, relata sua experiência: "Achei que as aulas me ajudaram muito. Depois que fiz o tratamento contra o câncer e amputei o braço, fiquei muito em casa e parado. Depois que iniciei o projeto, comecei a me movimentar muito mais. Me encontrei no esporte que me incluiu, me senti bem jogando, me encaixei, e minha autoestima melhorou muito, ajudando no psicológico".

Do projeto à formação de atletas

Além das aulas ministradas no espaço do INTO, os participantes que tem potencial para atuarem como atletas, são selecionados pelo professor Sérgio para treinamento na Escolinha Cadeiras na Quadra, vinculado ao Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro (CVI). Em novembro do ano passado, três ex-pacientes do INTO conquistaram o primeiro lugar, pela equipe do Estado do Rio de Janeiro, na categoria Tênis em Cadeira de Rodas das Paralimpíadas Escolares, organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro: Marcos Marçal, Pedro Henrique Santos e Henzo Gabriel da Silva. Em maio deste ano, Marcos e Pedro irão disputar o Mundial de Cadeiras de Rodas, na categoria Junior.

O projeto Tênis de Cadeiras de Rodas reforça o compromisso do INTO com a reabilitação integral dos pacientes, promovendo iniciativas que vão além do tratamento clínico e contribuem para a inclusão social. "Como enfermeira, acredito que esse projeto tem um valor muito especial para além do processo de reabilitação física. Além de desenvolver habilidades físicas, fortaleceu emocionalmente as crianças, com melhora da autoestima, autoconfiança e aceitação. Ver que elas podem praticar um esporte, se desafiar, se divertir e até competir em campeonatos, ajuda a ressignificar a experiência de amputação e favorecer uma reabilitação mais humana. Esse projeto é incrível. Cada olhar de felicidade das crianças, ao aprenderem uma jogada nova, nos enche de alegria e motivação”, resume Viviane Carius, chefe substituta da Divisão de Enfermagem e ex-chefe do Serviço de Voluntariado, que implantou a ação.

 

 18/03/2026

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