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Ortopedia e Traumatologia em foco

Oficina realizada no Rio de Janeiro estuda contexto da especialidade no país

 

 

 

A 1ª Oficina Nacional de Traumatologia e Ortopedia reuniu, nos dias 2 e 3 de setembro no Rio de Janeiro, personalidades importantes na formulação de políticas públicas do país, com foco em Ortopedia. Secretários estaduais de saúde, representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) e da Secretaria de Atenção a Saúde (SAS/MS), estes dois últimos idealizadores do evento. O encontro teve uma programação abrangente cujo objetivo foi fazer um primeiro levantamento da situação para, depois, sistematizar e organizar as redes assistenciais em Traumatologia e Ortopedia no Brasil.

 

De acordo com uma das coordenadoras da iniciativa, responsável pela área de desenvolvimento institucional do Into, Sonia Saldanha, a oficina foi um grande e primeiro passo para que gestores de todo o país discutissem e criassem uma metodologia para tornar visível a demanda reprimida da ortopedia e traumatologia. “A situação dos serviços de atendimento ortopédico do país foi avaliada por região, foram levantadas as dificuldades e apresentadas algumas propostas para a melhoria da atenção à saúde na área”, descreve Saldanha.

 

Em pauta estavam assuntos como serviços e assistência de urgência e emergência, assistência ambulatorial, campanhas de prevenção e assistência hospitalar de alta e média complexidade. O projeto Suporte, realizado pelo Into nos estados, para promover a estruturação das redes assistenciais em traumatologia e ortopedia no país, foi destaque entre as palestras. “A ortopedia, bem como as redes de serviços de saúde do país foram construídas dentro da lógica da oferta de serviços e não das necessidades das populações. Nesse sentido, a situação da traumatologia e ortopedia se agrava, pois as suas atuações são consideradas “eletivas”. As deficiências identificadas não foram poucas e a conclusão unânime: é preciso comprometimento e muito trabalho”, antecipa Saldanha.

 

A região Sul, por exemplo, listou entre outras propostas o financiamento da Rede Hospitalar contemplando a consolidação da Rede Urgência e Emergência com parte no financiamento fixo e a revisão dos valores e atualização dos componentes da tabela de procedimentos ambulatoriais e hospitalares. Para a região Nordeste, a descentralização dos serviços, que inclui a fixação do médico na região, o investimento em recursos humanos e o estímulo para formação de centros de ortopedia e reabilitação foram pontos em discussão apontados como necessidades efetivas.

 

No Norte ficaram claramente identificadas fraquezas do sistema como demanda excessiva; despesa maior que a receita (diferenciação per capita, imprevistos); falta de incentivo à produtividade; dificuldade de aquisição de materiais (qualidade); deficiência de investimento (capacitação e equipamentos). Algumas metas, portanto, vão desde fazer com que os profissionais se comprometam após sua residência com a rede pública, a trabalhar por um período determinado na mesma; implantar o sistema de rede na região e ainda garantir mais incentivos aos profissionais.

 

 A região Centro-Oeste destacou as campanhas de prevenção de acidentes de trânsito, especialmente com motos, como um tema que não pode ser esquecido. A sugestão é que haja notificação obrigatória de pacientes acidentados atendidos nas unidades de urgência e emergência, assim como o levantamento dos impactos financeiros e a aplicação severa da lei seca no local.  Já a realização do cadastro estadual único de aquisição de materiais para ortopedia, a revisão da tabela do SUS no quesito nomenclatura da tabela CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) e a inclusão de procedimentos por videoscopia na tabela de ortopedia foram temas tratados e identificados como necessários para a região Sudeste.

 

De acordo com o representante do CONASS, Dr. Lester, nunca houve um movimento tão bem organizado que se propusesse a discutir a traumatologia e ortopedia no país. “A intenção é, a partir de então, focar em discussões regionais com a presença dos municípios já que essa primeira reunião foi focada na presença do gestor do sistema – o Estado”, completa Saldanha. 

 

 





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